Mostrando postagens com marcador QUÍMICA. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador QUÍMICA. Mostrar todas as postagens

19 de abr. de 2012

O QUE PRECISO SABER SOBRE QUÍMICA....



O QUE É A QUÍMICA?
É a ciência que estuda a matéria e as transformações por ela sofridas. Assim, não é surpreendente que a química seja fundamental em muitas outras áreas do conhecimento (biologia, geologia, ambiente, medicina, etc.) Experimente encontrar conceitos em que não esteja envolvida matéria (tudo o que tem massa e ocupa espaço). Não é tão fácil como parece. Mesmo as ideias, que são imateriais, não existem sem um suporte físico!

DE QUE É FEITO O UNIVERSO?
Se tivéssemos que responder numa palavra: hidrogénio. Mais de 90% dos átomos do universo são de hidrogénio pela simples razão de que são os mais leves. Todos os restantes elementos são originados por condensações sucessivas de átomos de núcleos de elementos mais leves (começando no hidrogénio) no interior das estrelas, a temperaturas de 5 a 10 milhões de graus. O segundo elemento mais abundante é o Hélio, que também é o segundo mais leve. Existem cerca de 90 elementos na natureza, sendo que o mais pesado (com 92 protões no núcleo) é o urânio. É possível fazer elementos artificiais mais pesados, mas que só existem por fracções de segundo e em quantidades muito pequenas.

DE QUE É QUE NÓS SOMOS FEITOS?
De hidrogénio, carbono, oxigénio, e azoto. Estes quatro elementos perfazem 99% dos nossos átomos. Não por acaso são quatro dos cinco elementos mais abundantes no universo (a vida fez-se com o que estava mais à mão!). Os vários tipos de moléculas biológicas - açúcares, gorduras, proteínas e nucleótidos (que constituem o nosso material genético) são feitos com estes quatro elementos, como peças de lego ligadas de formas diferentes. Há mais sete que perfazem 0,7% do total dos nossos átomos (sódio, magnésio, potássio, cálcio, fósforo, enxofre e cloro) e duas dezenas de outros que também se julgam serem essenciais à vida, embora em quantidades mínimas.

O QUE É A TABELA PERIÓDICA?
É uma tabela em que os elementos estão ordenados por número crescente de protões no núcleo (número atómico) e de acordo com as suas propriedades. É como um baralho de cartas um pouco estranho, em que os vários naipes agrupam elementos com propriedades semelhantes, mas em que os números (atómicos!) das cartas nuca se repetem.

PARA QUE SERVE A QUÍMICA?
Para entender o mundo ao nível das moléculas e dos átomos. Uma parte importante da investigação médica faz-se ao nível molecular. Por exemplo, os medicamentos anti-virais encaixam em locais específicos das proteínas dos vírus. A química tem aplicações muito vastas, que englobam, por exemplo, a química analítica (análise de águas, solos, etc.), química orgânica (produção de medicamentos, plásticos, etc.) e a bioquímica (estudo das transformações químicas nas células). Os níveis actuais de produção agrícola são, em grande parte, possíveis por causa do uso de fertilizantes artificiais.

ENTÃO, A QUÍMICA É A CAUSA DA POLUIÇÃO?
A produção de bens que fazem parte do nosso modo de vida (combustíveis, medicamentos, plásticos, fertilizantes, etc.) tem um grande impacto no ambiente. E a industria química, para além de má fama, também tem a sua quota parte de responsabilidade. Mas, num planeta a caminho dos 9 mil milhões de habitantes (em 2050) a questão é que temos que mudar de vida! Ou seja, encontrar maneiras de reduzir a quantidade de recursos naturais que usamos e resíduos que produzimos E nisso, a química também pode ajudar.

BIBLIOGRAFIA RECOMENDADA

Haja Luz!- Uma história da Química através de tudo
Jorge Calado
(Imprensa do Instituto Superior Técnico)

A história química de uma vela
Michael Faraday
(Imprensa da Universidade de Coimbra)

O Sistema Periódico
Primo Levi
(Gradiva)

A Dupla Hélice
James Watson
(Gradiva)

2 de nov. de 2011

A PRATA E OS CALUTRONS NA 2ª GRANDE GUERRA...

17 de set. de 2011

A FORMAÇÃO DA VIA LÁCTEA EM FILME...


Lentiado do Rerum Natura

31 de ago. de 2011

The Chemistry of Beer....

2 de ago. de 2011

O VENENO ESTÁ NA MESA.....

Documentário da Campanha Permanente Contra os Agrotóxicos e Pela Vida, realizado pelo cineasta brasileiro Silvio Tendler.

27 de jul. de 2011

Química medicinal: desafios e perspectivas...

Trechos das palestras de Silvia Rogatto, da Faculdade de Medicina da Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Botucatu, Luiz Carlos Dias, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e Eliezer J. Barreiro, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).


16 de jul. de 2011

C'est quoi la chimie verte ? ...

9 de jul. de 2011

VISÕES DO FUTURO: A REVOLUÇÃO QUÂNTICA...


6 de jul. de 2011

Meet the Elements.....

1 de jul. de 2011

TEMPESTADE MAGNÉTICA....

30 de jun. de 2011

ELEMENTO BÁRIO...

10 de jun. de 2011

HISTÓRIA DA CIÊNCIA: Do que o mundo é feito?...

2 de jun. de 2011

UNIVERSOS PARALELOS.....

Universos Paralelos - Documentário from aorigem on Vimeo.

3 de mai. de 2011

A História Química de uma vela....

13 de abr. de 2011

Química das coisas banais: o papel....


Para onde quer que vamos o papel acompanha-nos: livros, jornais, revistas, cadernos, agendas, formulários, cartas, folhetos, bilhetes, notas, guardanapos, papel higiénico. Há um sem número de objectos de papel sem os quais dificilmente vivemos.

A história do papel é antiga e razoavelmente conhecida. Os egípcios produziam e utilizavam o papiro. Os antigos chineses já conheciam processos de produção de papel e dominavam processos de impressão baseados na xilogravura e, mais tarde, na tipografia. Mil anos depois da sua invenção na China, o papel começou a ser produzido na Europa do século XII. A tipografia e a revolução associada a Gutenberg surgem, mais tarde, no século XV, datando deste século a primeira fábrica de papel portuguesa, O Moinho de papel em Leiria, e os primeiros livros impressos em Portugal. Durante a idade Média dominou o pergaminho que era produzido a partir de peles de animais e era muitas vezes reutilizado, originando os palimpsestos dos quais, com processos físicos e químicos, é por vezes possível recuperar obras mais antigas. Actualmente, reciclar o papel faz perder os vestígios dos documentos anteriores, mas, o que já não é pouco, contribui para minimizar o corte de árvores e poupar energia. E, no entanto, o papel mantém, até ao limite em que começa a deixar de poder ser reciclado, a memória das árvores que o originaram: se rasgarmos um pedaço de papel podemos ver as minúsculas fibras que se projectam para os lados na zona de separação.

A madeira de que é feito a maior parte do papel é composta principalmente por celulose, lignina e hemi-celulose. Nos processos mais simples de produção de papel os troncos de madeira são triturados e separados em fibras. Em seguida, usando água são retirados uma boa parte da lignina e dos compostos não poliméricos, ficando uma mistura aquosa denominada polpa. Para a produção dos papéis de melhor qualidade são usados métodos químicos, nos quais a madeira é submetida a altas temperaturas e pressões para solubilizar a lignina. Podem ser empregues dois processos de produção da pasta de papel: num usa-se o ião sulfito e no outro o ião sulfureto. No primeiro caso o papel é quase só constituído por celulose, mas o papel obtido não é muito resistente, além de que todo o processo é bastante poluente. No outro, utiliza-se hidróxido de sódio e hidrogenossulfureto de sódio (obtido a partir de sulfato de sódio) para a separação da polpa, obtendo-se um papel muito mais resistente. Este último processo pode, no entanto, provocar a libertação de cheiros desagradáveis devidos à formação de compostos de enxofre denominados mercaptans. Durante a digestão da madeira vão sendo libertados vapores de forma a que a pressão se mantenha controlada. O aparecimento de cheiros é por isso praticamente inevitável embora seja feito um controlo rigoroso do processo e os gases libertados sejam recolhidos, condensados e neutralizados. Também existe actualmente um rigoroso controlo dos efluentes para evitar a poluição dos cursos de água.

Os processos químicos e físicos de conservação e restauro de obras em papel são uma necessidade fundamental para a preservação da memória, porque a celulose se oxida facilmente devido ao oxigénio do ar, sofre hidrólise em meio ácido, é digerida por bactérias e, para terror dos bibliotecários, é consumida em doses razoáveis por bichinhos da prata. A química é, também por isso, importante no desenvolvimento de aditivos que tornem o papel mais resistente à degradação. E, claro, há toda uma química fantástica nos cheiros dos livros novos e antigos e nas tintas de impressão.

A minimização da utilização do papel e a promoção da sua reutilização e reciclagem são importantes, mas é necessária também uma atitude racional. Se os plastificados e papéis com revestimentos especiais são difíceis de reciclar e por isso devem ser evitados, há produtos de papel que não são necessariamente piores que outros. Por exemplo, o papel colorido, em particular o papel higiénico de cores fortes, não tem, em geral, mais custos ambientais do que os outros tipos de papel porque a quantidade de pigmentos utilizada é insignificante, podendo até ter menor impacto ambiental se for baseado em papel reciclado não branqueado.
Lentiado do Rerum Natura

21 de fev. de 2011

QUANDO A QUÍMICA ENTRA EM CENA....

A palavra chemeia surgiu pela primeira vez por volta do século 4 e foi empregada por Olimpiodoro de Alexandria, o Velho (c.390-460). Etimologicamente, é possível detectar duas origens para o termo: uma egípcia, em que kimiya, que deriva de chemya, significa ‘negro’; e outra, oriunda do grego chymia (chimos), designando a arte relativa aos líquidos, aos extratos.

Nos dicionários, encontra-se geralmente a seguinte definição para o verbete química: “ciência que estuda a estrutura das substâncias, correlacionando-as com as propriedades macroscópicas, e se investigam as transformações destas substâncias”.

Mas, afinal, quando se fala de química, qual aspecto se deve destacar? O nível de organização da matéria? O resultado de uma transformação? O produto de uma reação? A fabricação de um objeto? Ou o princípio da criação da matéria em geral? Pode-se dizer que ‘tudo é química’.

Em consequência da impossibilidade de uma delimitação clara do campo dedicado à química, sua história deve ser entendida no contexto mais amplo, o da história da ciência.

As origens

O desenvolvimento material da civilização, tanto no Oriente quanto no Ocidente, foi acompanhado do progresso de procedimentos de natureza química para a obtenção de substâncias ou para sua purificação.

Processos de destilação, de fermentação, de redução e de extração eram conhecidos pelas civilizações do norte da África, do Oriente Médio, da China e da Índia. Nessa época, não se percebia a química como objeto de investigação, como ocorreu com a física. Mas isso não impediu, todavia, a formação de respeitável corpo de conhecimentos práticos.

Certas atividades, como a fabricação de sabão por hidrólise de ácidos graxos, a fermentação de açúcares, a produção de corantes e pigmentos, bem como de cerâmicas e vidros, além de técnicas metalúrgicas, já eram conhecidas nas civilizações pré-históricas. A química nessas atividades, porém, era considerada apenas um conhecimento essencialmente técnico.

Quatro elementos, duas forças

Os filósofos pré-socráticos, que viveram na Grécia entre os séculos 7 e 5 a. C., foram os primeiros pensadores a fazerem especulações sobre a origem e a natureza da matéria, percebendo sua transformação e sua relação com o divino.

Uma das contribuições da ciência grega à química é o conceito de elemento. Filósofos, como Tales de Mileto (624-544 a.C.), Anaxímenes (585-525 a.C.) e Heráclito (540-480 a.C.), admitiam um princípio primordial único, enquanto Anaximandro (610-546 a.C.) concebia infinitos princípios.

Mas o conceito de elemento que teve maior significado foi o proposto por Anaxágoras (500-428 a.C.) e Empédocles (490-430 a.C.). Eles consentiram não só um número limitado de ‘raízes’, mas também que todos os objetos e os seres seriam compostos por diferentes proporções de terra, água, ar e fogo, unidos e separados por duas forças: amor e ódio.

Aristóteles (384-322 a.C.) adotou a teoria dos quatro elementos como modelo para sua explicação da natureza, incluindo um quinto, a ‘quintessência’, o éter, que permeava a matéria. Ele se tornou um dos mais influentes filósofos gregos, e seus conceitos dominaram a filosofia natural por quase dois milênios após sua morte.

Para Aristóteles, há quatro qualidades da natureza: o calor, a umidade, o frio e a secura. Cada elemento (ou matéria primordial) é caracterizado por duas qualidades. Para exemplificar a teoria, vamos pensar como Aristóteles: o fogo teria as qualidades de ser quente e seco; já a água era qualificada como fria e úmida.

Como todos os materiais eram constituídos por esses quatro elementos em proporções variáveis – a conversão de um elemento em outro se daria pela substituição de uma qualidade por sua oposta –, era possível transformar uma substância em outra.

Nesse raciocínio, residiu a base teórica para a transmutação tentada pelos alquimistas – assim, o chumbo poderia ser transmutado em ouro. Muitos séculos se passaram até se poder escrever a fórmula química da água como H2O!

FONTE: Revista CIÊNCIA HOJE / 2010 Publicado em 21/02/2011

AUTORAS: Nadja Paraense dos Santos e Teresa Cristina de Carvalho Piva

14 de fev. de 2011

QUÍMICA DAS COISAS BANAIS:.....

Química das coisas banais: Por favor, uma garrafa de água!

texto do químico Sérgio Rodrigues:

Pegue-se num objecto banal e procuremos entender a sua natureza. Por exemplo uma água engarrafada, contém água pura que é analisada periodicamente. É pura porque não tem substâncias estranhas nem microorganismos, embora contenha naturalmente uma pequena quantidade de sais dissolvidos. Águas com uma quantidade muito grande de sais (como a do mar), ou quase nula (como a destilada), podem ser puras, mas não são adequadas para beber.

Olhemos com atenção para a garrafa. Poderia ser de vidro, mas é provavelmente de polietileno terftalato (PET, veja-se o relevo com o triângulo por baixo da garrafa), um polímero (ou plástico) que é reciclável. As rolhas que muitas vezes se juntam para trocar por uma cadeira de rodas, são normalmente de polipropileno (PP), um polímero também reciclável, valioso o suficiente para valer a pena a troca. O rótulo de papel, reciclado ou não, resulta do tratamento de fibras vegetais. As tintas com que está impresso foram obtidas por síntese.

Para além da marca e outras informações, no rótulo podemos encontrar a composição salina da água. Os sais são apresentados com as massas dos iões negativos e positivos cuja soma de cargas tem de ser nula; mas não estão indicados todos os iões (compare-se com a massa do resíduo seco), nem os gases dissolvidos. Uma outra característica indicada é o pH que, como toda a gente sabe, é uma medida de acidez. Não é, no entanto, a acidez, mas a variedade e quantidades de sais e outros materiais dissolvidos que conferem diferenças nos sabores das águas.

A água engarrafada não pode ter cloro nem outros tipos de tratamento, o que é uma vantagem em relação à água canalizada. Mas a água da rede é também cuidadosamente analisada, é muito mais económica e não origina mais garrafas para reciclar.

Não usei a palavra química, mas ela está, como toda a gente sabe, presente em todos os materiais e processos referidos. Para além disso, na obtenção e melhoria desses materiais e na realização e desenvolvimento desses processos está envolvido um número elevado de pessoas, uma boa parte das quais químicos ou com conhecimentos desta ciência.

A química pode ser simples ou complicada, como tudo na vida, mas é sobretudo uma necessidade e garantia da vida e do futuro.

5 de fev. de 2011

A QUÍMICA DO ORANGOTANGO....



Crónica publicada no "Diário de Coimbra":

O genoma do orangotango foi agora publicado na revista Nature, e apresenta cerca de 3% de diferença com o nosso. Mas a química do orangotango não é diferente da nossa.

Muito pelo contrário, partilhamos com este primata, assim como com todas as espécies vivas, muitas coisas em comum. Tanto o comum à vida como as diferenças na base da biodiversidade estão inscritas em longas sequências de quatro de moléculas (guanina, adenina, timina e citosina) integrantes do biopolímero que vulgarmente designamos por DNA (ácido desoxirribonucleico). É a diferente sequência daquelas moléculas alinhadas na dupla hélice de DNA que funcionaliza a mensagem química dos genes.

Em que é que diferem aquelas quatro moléculas? Diferem em arranjos e proporções diferentes de átomos de carbono, oxigénio, nitrogénio e hidrogénio. As diferenças nas vizinhanças químicas locais na dupla hélice de DNA expressam genes diferentes, que por sua vez corporizam instruções para proteínas com funções diferenciadas e específicas. O resultado global é uma espécie de organismo diferente. Um braço peludo mais comprido, uma posição bípede mais vertical, etc.

Recorde-se, a propósito do presente Ano Internacional da Química, que se deve muito à Química (mas também à Física, à Matemática e à Biologia, entre outras disciplinas) o conhecimento que está na base da genética molecular e que permite hoje, de forma multidisciplinar, a sequenciação genómica. Vejamos, de forma breve, porquê.

Como se disse, o genoma é constituído por longas moléculas de DNA. Este foi descoberto em 1869 pelo químico alemão Johann Friedrich Miescher (1844 – 1895) no núcleo de glóbulos brancos. Miescher escolheu estas células por serem relativamente grandes e também por possuírem núcleos grandes. Esta descoberta não permitiu associar de imediato o DNA à “molécula da hereditariedade”. De facto, foram necessários cerca de mais 80 anos para que se confirmasse que são os ácidos nucleicos os componentes estruturais e funcionais dos genes. Durante todo este tempo muitos cientistas defenderam que eram as proteínas, e não os ácidos nucleicos, as moléculas de que os genes eram feitos. Parecia estranho toda a diversidade da vida poder ser codificada pela monótona constituição molecular do DNA, pelo que a genética deveria ser escrita com a maior diversidade apresentada pelas proteínas.

Duas experiências foram determinantes para esclarecer a comunidade científica sobre a "molécula dos genes".

Em 1944, o médico e bioquímico Oswald Avery (1877 – 1955) e seus colaboradores demonstraram que só o DNA (o “princípio transformador” como lhe chamaram), era “capaz” de “transformar” estirpes diferentes da bactéria pneumococo (R e S) umas nas outras.

Em 1952, o trabalho do microbiologista Alfred Hershey (1908 -1997) e da geneticista Martha Chase (1927 – 2003) colocou um ponto final e abriu um novo capítulo à genética molecular com a experiência de transferência de DNA viral (do bacteriófago T2) para bactérias, na qual ficou claramente demonstrada que era o DNA e não as proteínas a argamassa genética da vida.

Martha Chase

Em 1953, o biólogo James Watson e os físicos Francis Crick, Maurice Wilkinson e Rosalind Franklin, através dos estudos por difracção de raios X de cristais de sais de DNA, recolheram a informação física e química necessária para propor a estrutura tridimensional em dupla fita helicoidal do DNA. Note-se que esta descoberta resultou de um trabalho fundamentalmente de física e química. Diríamos hoje de biofísica e bioquímica.


Rosalind Franklin

Neste ano também dedicado às mulheres na química é de realçar nesta história que tanto Martha Chase como Rosalind Franklin não foram galardoadas com o prémio Nobel, enquanto os seus colaboradores directos o foram pelas mesmas descobertas.
Veja mais aqui...

23 de jan. de 2011

ADORO QUÍMICA....

19 de jan. de 2011

Teletransporte de DNA....

Seu nome é Luc Montagnier e sua biografia pode ser resumida a um feito único: ele ganhou o Prêmio Nobel de Medicina em 2008, por ajudar a demonstrar a conexão entre o HIV e a AIDS.

Montagnier agora está sacudindo as bases do mundo acadêmico com uma alegação absolutamente inesperada: ele afirma ter "teletransportado" as informações de moléculas de DNA.

"Se os resultados estiverem corretos," comentou Jeff Reimers, químico da Universidade de Sidnei, na Austrália, "isso será um dos experimentos mais significativos feitos nos últimos 90 anos, e exigirá uma reavaliação de todo o quadro conceitual da química moderna."

Nesta altura dos acontecimentos, a expressão "se os resultados estiverem corretos" está tendo mais ênfase entre os outros cientistas do que o alegado teletransporte de DNA, que poderá ter um impacto, na verdade, muito além da química.

O problema é que o artigo ainda não foi aceito para publicação por uma revista revisada pelos pares de Montagnier.

E, a julgar pela recente controvérsia de uma bactéria com jeitão alienígena, anunciada com estardalhaço pela NASA e depois largamente contestada por outros cientistas, o processo de avaliação desse artigo deverá levar mais tempo do que o normal.

Teletransporte quântico

Montagnier e seus colegas alegam ter feito um experimento que mostra que uma molécula de DNA pode transmitir as informações que contém, por meio de campos eletromagnéticos, para células distantes e até mesmo para a água.

Mais do que isso, o Prêmio Nobel afirma que enzimas podem tomar esse "carimbo" remoto de DNA por um DNA real, copiando-o para produzir a coisa real - o que faria do experimento uma espécie de teletransporte quântico da molécula de DNA.

O experimento consiste em dois tubos de ensaio, próximos mas separados fisicamente, colocados dentro de uma bobina de cobre, sujeitos a um campo eletromagnético fraco de frequência extremamente baixa, de apenas 7 hertz.

O conjunto é isolado do campo magnético natural da Terra, para evitar interferências.

O primeiro tubo contém um fragmento de DNA com cerca de 100 pares de base. O segundo tubo contém água pura.

Depois de um período que variou de 16 a 18 horas, o conteúdo dos dois tubos de ensaio foram submetidos à reação em cadeia da polimerase (PCR), o método rotineiramente usado para amplificar quantidades traço de DNA, usando enzimas para fazer inúmeras cópias do material original.

Foi aí que o mais surpreendente aconteceu: o fragmento de DNA foi aparentemente recuperado dos dois tubos de ensaio, incluindo aquele que só deveria conter água.

A maldição da diluição

Para incomodar ainda mais os cientistas mais conservadores, aqueles que se incomodam com resultados controversos, e que geralmente se colocam prontamente contra qualquer nova descoberta que possa abalar o "edifício da ciência", o DNA somente é teletransportado com sucesso depois que a solução original de DNA passa por diversos ciclos de diluição.

Diluição lembra homeopatia, e "cientistas céticos" - o termo é absolutamente sem sentido, mas há vários acadêmicos que se autodenominam assim -, cientistas céticos odeiam a homeopatia, argumentando que ela não possui bases científicas, e trabalham duro para desacreditá-la.

No experimento de teletransporte, em cada ciclo, a amostra original, do tubo número 1, foi diluída 10 vezes, e o DNA fantasma, do tubo número 2, só pode ser recuperado quando a amostra original é diluída entre sete e 12 vezes.

O teletransporte não funcionou nas super diluições usadas na homeopatia.

Vários cientistas ouvidos pela revista britânica New Scientist mostraram-se céticos quanto aos resultados.

Mas é difícil imaginar que a equipe de um pesquisador agraciado com o Prêmio Nobel seja ingênua a ponto de divulgar uma pesquisa tão controversa sem tomar todos os cuidados metodológicos necessários.

Cientista afirma ter feito teletransporte de DNA
O fragmento de DNA foi aparentemente recuperado dos dois tubos de ensaio, incluindo aquele que só deveria conter água. [Imagem: Montagnier et al.]

Ondas eletromagnéticas do DNA

Segundo o rascunho do artigo, os físicos da equipe sugerem que o DNA emite ondas eletromagnéticas de baixa frequência, que transmitem a estrutura da molécula para a água.

Essa estrutura, alegam eles, é preservada e amplificada por meio de efeitos de coerência quântica. Como a estrutura imita o formato do DNA original, as enzimas do processo PCR tomam-na pelo próprio DNA e, de alguma forma, usam-na como modelo para construir moléculas que coincidem com o DNA transmitido.

Mas se Montagnier e seus colegas não conseguiram de fato fazer o teletransporte do DNA, então o que eles descobriram?

"Os experimentos biológicos parecem intrigantes, e eu não posso desacreditá-los," disse Greg Scholes, da Universidade de Toronto, no Canadá, que demonstrou no ano passado que os efeitos quânticos ocorrem em plantas.

Klaus Gerwert, da Universidade Ruhr, na Alemanha, que estuda as interações entre a água e as moléculas biológicas, mostra preocupação quanto à persistência do fenômeno: "É difícil entender como a informação pode ser armazenada na água em uma escala de tempo maior do que picossegundos."

Memória da água

Em 1988, o cientista francês Jacques Benveniste publicou um artigo na revista Nature, onde ele e seus colegas afirmavam demonstrar que a água tinha memória.

Em seu experimento, a atividade de anticorpos humanos era retida em soluções tão diluídas que não poderiam conter quaisquer moléculas de anticorpos - o que estatisticamente também ocorre na homeopatia.

Frente a um enorme ceticismo, a revista convocou um "caçador de mitos" para averiguar a questão, que concluiu que os resultados eram "uma ilusão", gerada por um experimento mal projetado.

Em 1991, Benveniste repetiu seu experimento sob condições duplo cego e obteve novamente os resultados que demonstraram inicialmente a alegada "memória da água".

Contudo, nem a Nature e nem a Science aceitaram o novo artigo para publicação.

Desacreditado, o pesquisador foi expulso de seu instituto sob a alegação de haver manchado a reputação da instituição.

Benveniste morreu em 2004.

Única saída

O que se espera agora é que o experimento de Montagnier e seus colegas seja avaliado pelos seus pares com a isenção necessária - sem ser condenado previamente, sobretudo por conter a palavra maldita - "diluição".

Para isso, um único caminho pode ser trilhado: laboratórios independentes devem repetir os experimentos e checar os resultados.

Veja mais aqui