5 de nov de 2009

PAIDEIA....

A Educação é uma preocupação em qualquer sociedade organizada que valorize a intervenção cívica e democrática dos cidadãos. Nela se continuam a projectar as expectativas económicas, sociais e culturais de cada nação. Através das opções e da estruturação do sistema educativo poder-lhe-emos tomar o pulso.

É na Grécia antiga que começa a História da Educação e, nessa medida, conhecer essas origens dá sentido à nossa realidade. De facto, são os Gregos quem, pela primeira vez, problematiza o conceito de educação: na literatura grega vêem-se sinais claros disso na poesia, na tragédia ou na comédia. É no século V a. C., com a Sofística, com Sócrates e Platão, com Isócrates e Aristóteles, que esse questionamento se torna central na Filosofia.

Os ideais educativos da paideia – que era o modo de garantir uma intervenção digna, justa e boa, sendo treinada na liberdade e nobreza de carácter (ethos) – desenvolvidos nesse século baseiam-se em práticas educativas muito anteriores, mas é nessa época que eles são debatidos, reordenados ou ampliados.

Assim, o homem kalos kai agathos, por definição «belo e bom», é o modelo do cidadão educado na ginástica, na música, na geometria e na gramática. Platão define paideia como «(...) a essência de toda a verdadeira educação ou paidéia é a que dá ao homem o desejo e a ânsia de se tornar um cidadão perfeito e o ensina a mandar e a obedecer, tendo a justiça como fundamento». Isócrates, no seu discurso A Demónico, lembra que «só os que seguirem este caminho é que serão capazes, no sentido genuíno da palavra, de chegar à virtude, o mais sagrado de todos os bens».

Porém, Jaeger, na sua obra Paideia, discute a dificuldade de transposição para a sociedade moderna de uma realidade muito complexa, que abarca conceitos tão diversos como os de cultura, literatura, civilização ou educação.

Esta viagem de breves linhas até autores helénicos conduz-nos à pergunta: que escola queremos para os nossos alunos? O que lhes devemos ensinar? Como os devemos ensinar? Penso que este conceito de paideia tem subjacente uma verdade intemporal. Hoje, tal como ontem, deveríamos querer que os alunos sejam capazes de uma cidadania responsável, tendo para isso de ser proficientes em diversas áreas. Deveriam conhecer suficientemente tanto as ciências como as humanidades, crescendo na virtude e na inteligência. Só assim poderão ter «a justiça como fundamento».

Qualquer modelo no qual os estudos humanísticos e científicos não sejam fortes e complementares fraquejará em vitalidade e integralidade. E fraquejará porque será apenas mais um modelo de moda, temporário. O pulso da nação começará a faltar.
Lentiada do Rerum Natura....

0 comentários: