16 de out de 2010

NANOTUBOS E VIDA PRIMITIVA....

Nanotubos de carbono aparentemente traçados em rochas sul-africanas por micróbios têm pelo menos 3,3 bilhões de anos, confirmam cientistas. Uma nova análise do material que preenche as estruturas mostra que elas surgiram pouco depois que a rocha vulcânica espalhou-se no fundo do mar.
Os tubos representam a mais nova pista contendo evidência de vida na Terra. O estudo foi publicado no jornal científico Earth and Planetary Science Letters.
Trata-se de um estudo de acompanhamento da descoberta feita por uma equipe da Universidade de Bergen sobre túneis e cavidades microscópicas publicadas em 2004. As estruturas são encontradas em rochas do famoso Barberton Greenstone Belt (cinturão de rochas verdes) na Província de Mpumalanga, na África do Sul.
Originalmente, essas rochas entraram em erupção embaixo d'água, mas durante o curso da história da Terra foram trazidas à superfície. O basalto que forma a rocha tinha sido datado anteriormente com 3,47 e 3,45 bilhões de anos, mas restavam dúvidas ainda sobre quando os nanotubos se formaram.
Comparando a média de diferentes isótopos de urânio e átomos de carbono do material que agora preenche esses canais, os pesquisadores conseguiram verificar que foram gravados nas rochas há cerca de 3,34 bilhões de anos – em outras palavras, pouco tempo depois que a crosta terrestre se formou.
A discussão sobre quando o primeiro tipo de vida surgiu em nosso planeta é um assunto debatido com entusiasmo. A constante renovação das camadas rochosas faz com que lugares como Barbeton seja um dos poucos registros físicos que ainda podem ser examinados.
Em Barbeton, a pista geoquímica também é sustentada por formas e texturas – os conhecidos vestígios fósseis – na rocha que poderiam ter sido feitas por micróbios primitivos. Não é o mesmo que ter o "corpo" fóssil do organismo, mas pesquisadores podem tornar o fato um grande acontecimento, expondo que as formas possuem uma origem biológica se puderem indicar tubos similares criados por micróbios mais desenvolvidos. E a equipe de Bergen acredita que isso possa acontecer.
"É como se estivéssemos analisando suas 'pegadas' – olhando os buracos, os traços fósseis – deixados por insetos enquanto se dissolviam ou eram mastigados nas rochas", explicou Nicola McLoughlin, do Centro de Geobiologia de Bergen.
"Então, ao invés de olhar o próprio micróbio, você está olhando para a cavidade ou a abertura feita por ele. Ainda estamos tentando convencer as pessoas da biogeneticidade dessas coisas e acho que temos boas mostras no fundo do mar atualmente," disse à BBC News.
"Porém as coisas ficam um pouco mais difíceis no ambiente primitivo, porque as formas são mais simples e a química foi modificada. No entanto, o que este estudo nos mostra é o nosso progresso em conseguir datar essas estruturas."

As rochas de Barberton cujos tubos foram inicialmente identificados encontravam-se na superfície. A Universidade de Bergen analisa agora rochas de escavações subterrâneas. Este tipo de investigação consegue aprofundar o conhecimento sobre como eram as condições na Terra há quase 3,5 bilhões de anos.

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